PM de SP reprime com violência ato contra privatização de linhas de trem
PM de SP reprime com violência ato contra privatização de linhas de trem
Manifestantes foram feridos durante protesto em frente à Secretaria de Transportes Metropolitanos, em São Paulo
Publicado pelo Portal Vermelho

Manifestantes que participaram de um ato contra a privatização de linhas da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) na manhã desta quinta-feira (27), em frente à sede da Secretaria de Transportes Metropolitanos (STM), no centro de São Paulo, foram reprimidos pela Polícia Militar e ficaram feridos.
Registros em vídeo disponíveis nas redes sociais mostram policiais militares efetuando disparos de bala de borracha e utilizando spray de pimenta contra os participantes. Outros manifestantes aparecem sendo detidos por policiais em meio a gritos de protesto.
O protesto foi convocado pelo movimento “Amigos e Familiares dos Ferroviários contra as Privatizações” e ocorreu um dia antes do leilão do governo estadual para a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM. O objetivo da manifestação era pressionar a STM a dialogar com ferroviários e demais manifestantes sobre os impactos da privatização.
Mais cedo, manifestantes ocuparam a sede da STM em busca de uma reunião com o secretário de Transportes Metropolitanos. A STM, no entanto, informou apenas que representantes dos manifestantes foram recebidos pelo gabinete do secretário, sem dar detalhes sobre o que foi discutido. O prédio foi liberado por volta do meio-dia.
Impactos da privatização
O Sindicato dos Ferroviários indicou greve contra a privatização no início da semana, mas a paralisação foi suspensa temporariamente. A categoria critica a falta de diálogo do governo estadual e teme a demissão em massa de trabalhadores, além de piora na qualidade do serviço prestado à população.
O leilão do chamado “Lote Alto Tietê” está marcado para sexta-feira (28). A concessão prevê um contrato de 25 anos, com pagamentos de R$ 1,49 bilhão ao ano e um aporte inicial do governo de R$ 10 bilhões.
A proposta também inclui um Programa de Demissão Incentivada (PDI), que pode reduzir em até 72% o quadro de ferroviários, afetando cerca de 4.200 trabalhadores. Aqueles que permanecerem nos postos teriam seus salários reduzidos em 50%, conforme apontam os sindicatos.
Mesmo diante da repressão, os manifestantes afirmam que seguirão mobilizados para barrar o leilão. Uma assembleia de ferroviários está marcada para a noite desta quinta-feira (27), onde novas ações serão discutidas.
Violência policial marca mobilização contra concessão
A repressão policial contra os manifestantes gerou revolta. “É assim que age a polícia militar do governo, jogando bomba no trabalhador que luta por seus direitos”, declarou um manifestante em um vídeo.
Imagens mostram agentes da PM utilizando força para deter manifestantes. Em um dos registros, uma mulher é arrastada pelo cabelo e colocada em um camburão. Outros relatos indicam uso excessivo de spray de pimenta e tiros de bala de borracha contra os participantes.
Governo justifica repressão
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) justificou a ação da PM alegando que os policiais intervieram após uma “tentativa de invasão” ao prédio da STM e o bloqueio da Rua Boa Vista. Segundo a SSP, três pessoas foram detidas durante a dispersão dos manifestantes, que seguiram em direção à Praça da República.
A pasta informou ainda que as imagens da manifestação estão sendo analisadas e que, “se constatadas irregularidades, as devidas providências serão adotadas”. Em nota, a SSP afirmou que “não compactua com desvios de conduta e que todos os excessos serão punidos com rigor”.