Aumentar alíquota de imposto dos mais ricos aproxima Brasil de países desenvolvidos
Aumentar alíquota de imposto dos mais ricos aproxima Brasil de países desenvolvidos
Entre as nações com os maiores percentuais de IR estão Finlândia (56,95%) e Dinamarca (56%). Proposta enviada ao Congresso pelo governo busca reduzir disparidade tributária brasileira
Publicado pelo Portal Vermelho

O Brasil está longe de ter um sistema tributário realmente justo, mas a proposta do governo Lula de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e cobrança maior dos que recebem mais de R$ 50 mil é um passo importante neste sentido. O projeto de lei com essas mudanças foi enviado ao Congresso Nacional nessa semana.
“Países mais igualitários, como os mais desenvolvidos da Europa, tendem a tributar de maneira mais progressiva. O Brasil, fazendo essa mudança, vai se aproximar desses países”, disse, à Agência Brasil, Clara Zanon Brenck, do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made) da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com a agência classificadora de riscos Austin Rating, o Brasil tem a 88ª maior alíquota de IR sobre pessoa física de um total de 146 países, o que reflete o tanto de imposto pago por quem ganha menos e o pouco tirado dos que têm mais. Atualmente, os maiores percentuais estão na Finlândia (56,95%). Dinamarca (56%), Japão (55,97%), Áustria (55%) e Suécia (52,3%), segundo dados de 2021 a 2023.
Vale ressaltar que no Brasil, a renda dos 10% mais ricos é 14,4 vezes superior à dos 40% mais pobres, conforme o IBGE. Na avaliação do Made-FEA, o ideal para atingir maior justiça tributária seria aplicar uma alíquota sobre os mais ricos que ficasse próxima de, ao menos, 15%.
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Por meio dessa e de outras medidas, o governo Lula vem buscando reduzir essas disparidades. Mas, o caminho a percorrer é longo e sinuoso, especialmente considerando que boa parte do Congresso está comprometida justamente em manter tudo como está para o andar superior, ignorando o que deseja a população.
Segundo pesquisa Quaest realizada em dezembro, 75% dos entrevistados, entre eleitores de Lula e de Jair Bolsonaro, aprovavam a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil.
“Aqui nós faremos um grande esforço no Congresso para aprovar esse projeto e beneficiarmos milhões e milhões de trabalhadoras e trabalhadores”, disse o líder do PCdoB na Câmara, Renildo Calheiros. A expectativa é de que a proposta seja aprovada ainda neste ano e possa valer a partir de 2026.
Ao anunciar o envio do projeto ao parlamento, o presidente Lula declarou: “Esse é um projeto neutro. Esse projeto não vai aumentar um centavo na carga tributária. O que estamos fazendo é apenas uma reparação. Nós estamos falando de 141 mil brasileiros que ganham acima de R$ 600 mil, acima de R$ 1 milhão por ano, vão contribuir para que 10 milhões de pessoas não paguem Imposto de Renda. É simples assim”.
De acordo com o Ministério da Fazenda, 10 milhões de pessoas deixarão de pagar o IR e nove em cada dez que pagam terão isenção total ou parcial. Dos declarantes do imposto, mais de 26 milhões (65%) não vão pagar nada.
A renúncia fiscal prevista é de R$ 25,84 bilhões, valor que será compensado com a cobrança de imposto de 141,3 mil pessoas. A tributação sobre altas rendas atingirá apenas 0,13% dos contribuintes e 0,06% da população. Na base de cálculo da renda desses contribuintes serão incluídos rendimentos atualmente isentos, como dividendos (distribuição de lucros de empresas).
Com agências