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Popularidade de Milei desaba após escândalos e repressão a protestos

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Popularidade de Milei desaba após escândalos e repressão a protestos

 

Pesquisa mostra que 61% dos argentinos estão insatisfeitos com o governo. Criptogate, nomeações à Suprema Corte e repressão a aposentados desgastam presidente.

 

Foto: Reprodução

A popularidade do presidente argentino Javier Milei sofreu forte queda nos últimos meses. Pesquisa divulgada pela Universidade de San Andrés nesta segunda-feira (25) mostra que 61% da população está insatisfeita com os rumos do governo de extrema direita.

A taxa de aprovação caiu nove pontos percentuais desde novembro, passando de 54% para 45%.

Segundo o levantamento, a insatisfação atinge todas as faixas etárias, gêneros e classes sociais. Entre os jovens de 18 a 27 anos, chega a 66%. Entre argentinos de 28 a 42 anos, a taxa é de 67%.

No segmento de 43 a 59 anos, o índice sobe para 71%, e entre os mais velhos, acima de 60 anos, alcança 53%. A insatisfação também é disseminada entre todos os estratos sociais: a desaprovação varia entre 46% e 57% entre as classes alta (ABC1), média e baixa.

As políticas públicas mais criticadas são a gestão da educação, da saúde e a ausência de investimentos em obras públicas. Quanto às maiores preocupações da população, destacam-se a insegurança, a pobreza e os baixos salários. Apenas 15% dos entrevistados consideraram a inflação como o principal problema atualmente.

A queda na expectativa futura também é notável: os otimistas são 39%, contra 33% de pessimistas. Apesar disso, a pesquisa revela que a imagem pessoal de Milei ainda é uma das menos deterioradas dentro do governo: seu diferencial negativo é de 7 pontos, enquanto outros integrantes da gestão enfrentam rejeições ainda maiores.

O recuo na popularidade ocorre após uma série de escândalos e medidas polêmicas. O mais rumoroso deles foi o chamado Criptogate, o escândalo em torno da criptomoeda $LIBRA. Milei promoveu o ativo em suas redes sociais em fevereiro, provocando uma explosão especulativa e, em seguida, um colapso que deixou milhares de investidores lesados.

O caso levou a investigações na Argentina e nos Estados Unidos, além de um pedido de impeachment por parte da oposição.

A situação se agravou quando surgiram mensagens atribuídas ao criador da criptomoeda, Hayden Davis, nas quais ele afirma ter “controle” sobre o presidente argentino por meio de pagamentos a sua irmã, Karina Milei.

“Envio dinheiro à sua irmã e ele assina o que digo e faz o que quero”, diz uma das mensagens obtidas pelos jornais La Nación. A Casa Rosada nega qualquer envolvimento de Karina e afirma que não houve irregularidade.

Outro fator de desgaste foi a decisão de Milei de nomear dois novos juízes para a Suprema Corte por meio de decreto, sem passar pelo Senado. A medida gerou forte reação da oposição e de setores do próprio campo conservador, como o ex-presidente Mauricio Macri, que afirmou: “A nomeação por decreto prejudica a confiança na Justiça”. O gesto foi classificado por senadores como um “golpe institucional”.

A repressão violenta a protestos também contribuiu para o desgaste. Em 12 de março, uma manifestação de aposentados contra cortes na Previdência foi duramente reprimida pela polícia em frente ao Congresso. O ato terminou com 124 presos, 53 feridos e um jornalista em estado grave após ser atingido por um cartucho de gás lacrimogêneo.

“Precisamos de liberdade de imprensa, como diz a Constituição Nacional, e não sermos mais prejudicados”, afirmou Alejandra Bartoliche, vice-presidente da associação de repórteres gráficos da Argentina.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou preocupação com a repressão. “O Estado argentino deve garantir os direitos à liberdade de expressão e associação, e empregar protocolos baseados em direitos humanos quanto ao uso da força”, disse em nota.

No Dia da Memória, 24 de março, uma marcha massiva tomou a Plaza de Mayo e reuniu cerca de 400 mil pessoas. Os manifestantes criticaram o governo Milei, exigiram justiça para os 30 mil desaparecidos da ditadura militar e denunciaram ataques a direitos e garantias democráticas. “Hoje, a Plaza mostrou que a ditadura não acabou. Milei é herdeiro de Videla, mas o povo não calará”, disse o Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel.

Em meio à crise, o presidente tenta sustentar seu discurso de ajuste econômico. Segundo o Indec, o PIB argentino recuou -1,7% em 2024. A retração foi puxada pela queda do consumo privado (-4,2%) e dos investimentos (-17,4%), apesar da alta nas exportações. O governo argumenta que o ajuste permitiu reduzir a inflação, mas os dados mostram crescimento da pobreza e perdas salariais generalizadas.

A queda na popularidade de Milei pode afetar as pretensões eleitorais da coalizão La Libertad Avanza. Em novembro, pesquisas indicavam que o partido do presidente poderia obter 42% nas eleições legislativas de 2025. Agora, a oposição peronista vê no desgaste uma janela para reorganizar suas bases e ampliar alianças.

Embora o presidente siga contando com o apoio de setores empresariais e da imprensa comercial, o acúmulo de crises aponta para um cenário de crescente instabilidade. A popularidade de Milei, que já foi o ativo mais forte de seu governo, parece ter entrado em rota de colapso — assim como a moeda que ajudou a promover.

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